segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A natureza do escorpião

Uma fábula. Está escrita num livro. Se não me engano, o título é “Mentes Perigosas”.
Um sapo, à beira do rio, apronta-se para atravessá-lo. De repente, surge um escorpião: “Amigo, preciso chegar à outra margem. Por favor, me carrega nas tuas costas.” O sapo atalhou: “Tua fama não é boa, pois costumas trair a todos que se aproximam de ti”, ao que o outro se opôs: “Não é verdade, estou redimido, mal nenhum mais faço a ninguém. Prometo por tudo o que há de mais sagrado que jamais te ferirei. Não abandona este necessitado”.
O sapo com aquela índole generosa que, ao coaxar, no máximo espanta as estrelas sem qualquer incômodo levar aos outros animais da floresta, assentiu: “Pois bem, sobe nas minhas costas, mas antes promete que mal algum me causarás”. O escorpião não titubeou prometendo com toda a ênfase.
E a travessia do rio iniciou-se em meio a uma conversa amistosa. Na margem oposta, vencido o trajeto, o sapo virou-se e anunciou: “Pronto, estamos aqui, podes descer”. O escorpião, sem receio, aplicou um ferrão nas costas do sapo que, em seu estertor, queixou-se: “Puxa, esqueceste tuas promessas? Por que fizeste isso comigo?” O escorpião friamente asseverou: “porque é da minha natureza”.

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